Europa

O que me recordo da minha Moldávia

Estava preparada para escrever algo e então a proposta que recebi foi para escrever algo sobre a Moldávia! 10 razões para visitar Moldávia!

Senti-me parada, não sabia por onde começar. Já não vou lá há bastante tempo, não vou conseguir valorizá-la, pensei eu no meu interior. Fechei os olhos e permiti-me viajar para lá, a minha Moldávia. Abro os olhos e estou no coração dos “Codrii Moldovei”, as florestas massivas que se estendem em mais de 40% do território moldavo. Codrii são património nacional e uns verdadeiros pulmões para o país. Aliás, só de me imaginar a inspirar aquele ar, caem-me as lágrimas. São lágrimas de amor e conexão com a natureza. É uma experiência que só vivendo conseguimos entender a sua amplitude. A minha ligação à natureza vem desse lugar misterioso e mágico que abrigou a minha infância, onde tive o privilégio de brincar e explorar de forma livre. Há imensas lendas e contos ligados aos Codrii Moldovei, ao seu mistério, a magnitude florestal e aos ecos! Podia falar apenas da natureza da Moldávia e, para mim, isso chega, mas há muito mais! No território dos Codrii podemos visitar as Igrejas e os Monastérios que são autênticos museus de arte. A arte viva dos tetos altos foi considerada património da humanidade pela Unesco. Há mais de 1000 Igrejas e Monastérios em todo o país que são consideradas monumentos de valor cultural e histórico. Vale a pena visitar a “Mãnãstirea Tzipova”, “Butuceni e Pestera”, “Cãpriana”,”Hîrbovãt”, “Noul Neamt”, “Rudi”, etc. Será uma experiência muito diferente daquilo que já tiveram, isso é garantido! Não se surpreendem se forem convidados para a casa de moldavos e se sentarem à mesa! Os moldavos adoram receber pessoas em casa e serão recebidos como família! Só existe uma regra na casa dos moldavos, tirar os sapatos, sem exceção! Entrar calçado é ofensivo e sinal de desrespeito. A comida tradicional não faltará a mesa. “Placinte” quentes saídas do forno (umas tortas com requeijão, batata ou uma couve cozida especialmente) e o vinho tinto vão deixar qualquer pessoa rendida. Mesmo que estranhe a comida, pelo menos prove, isso será interpretado como respeito e gratidão da sua parte.

A Moldávia ocupa o 1º lugar no mundo na densidade da vinha. Aliás, a forma geográfica é um cacho de uvas. A Moldávia tem a maior adega subterrânea do Mundo, que chama-se Cricova, ou minas de Cricova, e tem mais de 100km de túneis. Fica perto da capital Chisinau. Há mais uma adega perto que concorreu ao título da maior adega do Mundo e chama-se Milestii Mici, tem mais de 200km, mas apenas 50 km estão utilizados como adega. No entanto, detém o título da maior coleção de vinhos do mundo. Estas duas adegas são pontos turísticos fulcrais e umas autênticas experiências com tradições, restaurantes luxuosos e degustação de vinhos e licores. Serão servidos sempre por pessoas vestidas em trajes nacionais que refletem a cultura e a tradição moldava. A “Ia” é uma blusa nacional moldava que transporta no seu design, no seu seu corte, na sua cromática e história, tudo que é uma mulher moldava.

A Moldávia é um país pobre e devido a isso era excluída como ponto turístico. Felizmente isso tem vindo a mudar.

A capital da Moldávia, Chisinãu, é a minha segunda casa. É uma cidade muito bonita, bastante limpa e cuidada, onde os monumentos e os parques convidam a explorar. No Centro da cidade podemos encontrar o parque Stefan cel Mare, que tem a estátua do mais marcante governador Stefan cel Mar. Para os locais, a estátua também é um ponto de encontro. O parque é extremamente vivo durante todo o ano, mesmo nos dias das temperaturas mais baixas. No meio do parque

encontra-se uma fonte histórica, devem existir poucos moldavos que não tiraram uma fotografia ao lado da fonte. Perto encontra-se também uma rua dedicada aos mais marcantes escritores da Literatura Romena “ Aleea Clasicilor”. Cada clássico tem o seu monumento e pequena biografia. Chisinau é a cidade dos contrastes. Encontramos edifícios de luxo, restaurantes com serviço da mais alta qualidade e, perto, algum edifício abandonado. A arquitectura não tem grande união mas desperta curiosidade pela diversidade dos edifícios que tiveram influência dos vários países. A Moldávia tem uma longa história de invasão pelo império otomano, império húngaro, russo, etc. As ruas são muito largas, igualmente aos tempos da antiga URSS. É, sem dúvida, uma cidade que ainda está em construção e a recuperar lentamente a sua identidade. Vai encontrar perto também a Catedral que, sem dúvida, vale a pena vistar, a arquitectura e a beleza da Catedral ortodoxa é fenomenal. Tem vários museus e memoriais que simbolizam a história e as conquistas da Moldávia. O Museu da História e Etnografia, o Memorial “Eternitate”, o Museu Nacional de História, a antiga estação de Comboio que tem a influência arquitectural russa, o Museu de Arte Moderna, o jardim botânico, etc. A comida é excepcional. Quando pergunto a alguém que visitou a Moldávia do que mais gostou, a resposta é quase sempre a natureza, a comida, a hospitalidade dos moldavos, a beleza das mulheres e o vinho. Não posso discordar. A Moldávia tem uma história para contar e é bom saber que está a ser ouvida, mesmo que devagar.

Tatiana Chiochiu

A Tatiana Chiochiu é originária da República da Moldávia e é cidadã portuguesa. Considera-se portuguesa de coração. Na verdade, tem a saudade na Moldávia e o coração em Portugal.
Sempre se interessou por comportamento humano e por isso é psicoterapeuta e estuda todos os dias para o ser sempre da melhor forma: da mais humana e mais ética.
Com esse estudo e investigação que faz para a sua prática, escreve e partilha, não só artigos especializados e fundamentados, como também visões sobre a psicoterapia em geral e a psicoterapia somática.
Desafiamos a Tatiana a escrever sobre viagens e ela aceitou. E ainda bem!

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