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Coimbra de cor

Como mulher nascida em Coimbra tenho sobre a mesma um sentimento de posse que se robustece nas experiências que vou tendo da cidade e no prazer que vejo os outros retirarem dessas mesmas experiências. Não que saiba tudo ou que o queira saber porque, na verdade, por vezes me chegam surpresas de amigos e conhecidos que me relatam as suas próprias experiências coimbrãs que me dão um insight a outros universos paralelos ao meu e nunca por mim adivinhados.

A Universidade 

O primeiro local que nos vêm à mente ao pensarmos em Coimbra, é a Universidade de Coimbra. Aliás, não é só a nós. Uma busca aleatória no Google, oferece logo o site da UC como o primeiro resultado. A Universidade de Coimbra, instituição vetusta de 730, continua a atrair muita atenção não só pela sua história, mas também pela sua projeção nos dias que correm. Situada num antigo paço real doado pelo monarca D. Dinis para acolher os Estudos Gerais, lança o olhar melancólico sobre o vale do Mondego a montante montanhoso e a jusante plano pelos campos do Mondego a fora até chegar à orla do mar. Para ter uma experiência pitoresca da Universidade há que espreitar a Sala Dos Capelos com o seu ar fechado e impenetrável ao passar dos tempos e a sua galeria de retratos reais, paredes tingidas de vermelho, quiçá dos banhos secos de sangue que ainda hoje as provas de doutoramento aí tidas produzem. A não perder é a Biblioteca Joanina, um palácio da cultura tout court, que nos leva em três momentos ao olhar de admiração e espanto que o rei João V nos quis provocar aquando do seu patrocínio a esta obra.

Outro local que não pode perder é a Capela de S. Miguel. No mesmo estilo da Biblioteca, é uma melodia à arte religiosa como era entendida nos tempos de ouro do Império Português. E muito ouro se pode encontrar lá, efetivamente. Se ainda tiver fôlego depois de admirar todas estas maravilhas, recomendo vivamente uma subida à Torre da Universidade. Se subir não chegará ao topo com tanta vivacidade, mas recompor-se olhando para a paisagem em volta tem certamente outro peso, ou atinge outras alturas, se quiser.

A Sé Velha

A Sé Velha, velhinha de mil anos – quase! -, ergue-se a meio da colina nobre coimbrã. Da sua forma modesta e forte emanam belezas que são irrepetíveis. Uma centenar oliveira meia escondida nas traseiras marca um momento de elevação espiritual que se prolonga ao entrarmos o vetusto portal de entrada. Arredamos os pesados reposteiros de veludo vermelho e estamos dentro do mundo mágico da arquitetura cristã do século 12. A doce luz que entra pela torre lanterna banha a beleza simples e austera das paredes e guia o nosso olhar para o altar mor onde podemos admirar o retábulo mor dos flamengos Olivier de Gand e Jean d’Ypres. O assombro que essa história da Virgem e de Jesus nos deixa é continuado, mas de alguma forma refrescado pela visita aos claustros que pecam apenas por estarem tão escondidos. Talvez isso aumento o seu charme na verdade.

A Baixa

No fundo da colina da Lusa Atenas encontramos o tracejado irregular das ruas da Baixa. Lugar de tradições e que passou uns tempos difíceis tenta hoje erguer-se com a nova energia do turismo e dos turistas. A simpatia dos lojistas é a mesma e podemos encontrar um bom número de casas antigas que resistem à erosão do tempo lado a lado com outras que adotaram o novo modelo de forma fulgurante. Com casas antigas em que se encontra a patine do tempo, vamos percorrendo estas ruas e encontramos a Rua da Sofia, património cultural imaterial da humanidade. E ainda bem que é imaterial porque, neste caso, a matéria talvez preciso de algum TLC.

No próximo texto vamos ao choupal e continuamos o passeio a beira do Mondego!

Olga Canas

Olga Canas é mãe de três meninos. Mais alguns "filhos" a long the way, acrescentariam pessoas amigas. Mas apesar da sua apetência (ou não!) para as funções maternais, ela recusa ser encaixada apenas nessa categoria. Filha de Coimbra, aí estudou, com grande orgulho, Direito. Essa ponte para o Mundo fê-la atravessar todo um universo de descobertas e, sem nunca perder a coragem, ousou partir por esses mares tantas vezes navegados e conquistar muito mais do que lhe estava destinado.
Encontrou algum lar durante algum tempo nos Países Baixos, em Macau, em França, no Brasil e no Reino Unido. E durante um inesquecível instante nas Maldivas...
E regressou para o aconchego materno da sua Lusa Atenas. Foi com um filho, regressou com três!
E são essas as contas que importam: três!
Pelo caminho foi estudando, trabalhando e aprendendo. Voltou mais desencantada, mas mais experiente para derrotar o ceticismo. Quem a conhece sabe que as suas armas são o otimismo e o sorriso!
O abraço dela, esse é lendário!

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