EuropaPortugal

A Viana que me acolhe

Há 10 anos que me tornei “vianense”, nunca pensei ficar tanto tempo, mas fui ficando, e hoje até sou mãe de um pequeno vianense de 3 anos.

Começou reservada comigo, ainda assim insisti. As gentes são afáveis e hospitaleiras, mas foi só pelas mãos de outros vianenses que conseguiu estabelecer relações mais próximas. Hoje creio ser mais de cá do que de qualquer outro lugar. Sinto que é bom sinal. Já as ruas e os recantos fui explorando na solidão dos primeiros anos, aprendi a fazer coisas sozinha, que nem me julgava capaz…

Rendi-me a Viana do castelo, mesmo que com muitos momentos na nossa história em que estivemos de costas voltadas e era forte a vontade de mudar de ares, mas rendi-me porque tem tudo para ser um lugar incrível para se viver.

Mar, montanha, história, património e tradição, tempo ameno, natureza selvagem, e uns céus que não há iguais em nenhum outro lugar. A minha primeira casa foi escolhida pela vista mar, e não houve dia nenhum nela passado que não me tenha perdido, mesmo que por alguns minutos, a contemplar a vista. Nela me apaixonei pelo inverno à beira-mar.

O amor ajudou a render-me, a olhá-la com outros olhos, o amor tem destas coisas e torna mágicos os lugares, mais ainda aqueles que se inundam já de magia.

Fui descobrindo a cidade e seus recantos, tenho hoje as minhas ruas favoritas, as melhores vistas eleitas, lugares onde me encontro e onde gosto de me perder.

Para caminhar gosto da praia do Cabedelo, o seu extenso areal, o mar sereno, o pinhal que cresce nas dunas, fazem dela a minha praia, pena o vento que ali se faz sentir no verão a partir das 11 da manhã, mas nada como madrugar e aproveitar.

Uma alternativa de exercício é subir o escadório para Santa Luzia, 659 degraus que tiram o fôlego tal como as soberbas vistas. Não fiz muitas vezes, mas vale a pena a experiência. A descer todos os santos ajudam, mas o funicular é também uma forma diferente e divertida de o fazer.

Para meditar, gosto Capela da Adoração e Reconciliação, que pela sua simplicidade e energia faz lembrar um espaço ecuménico e como recebe poucas visitas é o local ideal para um momento de introspeção, e fica ali mesmo nas traseiras do imponente templo de Santa Luzia.

Para ler ou trabalhar, o meu voto vai para a Biblioteca Municipal, obra de Siza Vieira, bem na marginal do rio Lima. Tenho dificuldades em me concentrar quando o ruído é muito, mas ali impera o silêncio, e as incríveis vistas e luz natural que nos entram pelas janelas imensas. Convida à inspiração e parece que ali sou sempre mais produtiva.

Não sou seguidora de folclore, mas gosto que sejam preservadas as tradições e é bonito de ver o orgulho da população nos trajes, no ouro, nas danças e cantares e há tempos fui mesmo surpreendida por uma performance do grupo de sargaceiros de Castelo do Neiva, de uma simplicidade que me transportou a outros tempos. Adoro algas, de as comer, de as cheirar,  de as sentir, e de as ver dançar ao sabor das ondas…Em miúda faziam-me confusão, e não gostava de ir à praia dos ingleses porque o sargaço se enrolava nas pernas, hoje acho piada aquelas imensas florestas marinhas e a todo o seu incrível potencial.

Assim é viana, sempre a surpreender-me e a trazer novos motivos para manter acesa a paixão por ela.

Qualidade de vida é outro dos atrativos da cidade, ritmo lento e suave, quase sem trânsito, com excepção de dias de muita chuva ou na semana das festas da agonia, fazem de viana uma incrível cidade para se viver, para ver crescer uma criança e para se respirar.

Gosto mesmo de me referir ao ar que por aqui se respira…puro e fresco, sempre que me desloco a algum local onde o ar é mais poluído, penso o quão abençoada sou por respirar viana.

Está também cada vez mais moderna, cada vez mais cultural, e cada vez mais cosmopolita, oferta hoteleira que cresce, condições para a prática de desportos marítimos inigualável trazem à cidade novas gentes, novas línguas, novas culturas e todos beneficiamos com isso.

Quem gosta vem, quem ama fica, lembro-me sempre deste slogan quando me apetece ir embora  e vou ficando, deve mesmo ser uma história de amor…

Vânia Magalhães

Nasci em Guimarães, mas sou do mundo, as raízes não são muito profundas, vou onde os meus ramos me levarem.
Licenciada em direito, apaixonada pelos direitos humanos, cedo percebi que estes se praticam no dia-a-dia, no amor ao próximo, em atividades de voluntariado, a passar as mensagens certas com o nosso exemplo e atitude, mais do que em manifestações jurídicas.
Nos últimos anos vivi uma incrível revolução e descobertas interiores, com percurso na filosofia macrobiótica, através de formação no Instituto Macrobiótico de Portugal, coaching/mentoring e constelações sistémicas, meditação, saberes que agora tento combinar e passar como inspirações.
Sou apaixonada por viagens, gosto de escrever, gosto de cozinhar e preconizo uma vida simples dentro da complexidade que me habita.
Cuido do meu corpo, porque também ele me guia.

Similar Posts